domingo, 28 de setembro de 2008

A espontaneidade dos circos de antigamente

Inteligente, divertido e surpreendente, “O Circo do Seu Lé” é um espetáculo que mistura teatro, música ao vivo e números circenses à moda antiga: monociclo, malabares, homem-bala, acrobacias no solo e no tecido, pirofagia e até um drama histórico, como nos circos tradicionais do século XIX.

Na peça, criada e dirigida por Marcelo Zurawski, músico e ator conhecido pelos trabalhos com a Cia. Furunfunfum, ele vive o domador Seu Lé, dono de um circo em dificuldades. Quando os animais – elefanta laranja e urso bipolar – são apreendidos, Seu Lé busca alternativas para salvar o circo da total falência e contrata dois jovens malabaristas de farol para mantê-lo em funcionamento. Esses dois, por sua vez, preocupados com a extinção dos artistas circenses, têm o sonho de encontrar um circo como antigamente, que admita malabaristas como eles.

Ao longo de todo o espetáculo, surge outra figura importante: o inspetor Corta-Onda, um sujeito chato e autoritário, que “corta a onda” do Seu Lé todas as vezes que ele, criativamente, consegue uma solução para o seu circo. Depois de apreender os animais do circo, proíbe o número do homem-bala porque não pode armas de fogo, proíbe o número de pirofagia porque não pode fogo, proíbe o número de malabarismo porque não pode dirigir bicicleta de costas e proíbe o drama histórico porque não pode arco e flecha.

Seu Lé, desiludido, já ia se conformando com o fim do seu circo, quando seus colegas lhe dão uma idéia: o professor Caichuva pode reavivar um dinossauro para ser a grande atração do circo. Depois de muito refletir, o domador acaba dando um “jeitinho brasileiro” para a situação: “Se dinossauro não existe mais, não existe legislação contra sua permanência no circo!”.

“O Circo do Seu Lé” é um circo puramente brasileiro. Educativo e marcado pelo humor, criatividade, espontaneidade, improvisação e contato com o público, implica as crianças a participarem do enredo e rompe a fronteira entre palco e platéia. Os pequenos espectadores são evocados a sair de uma posição passiva e participam ativamente do espetáculo, tornando-o ainda mais envolvente.

O trocadilho no título da peça faz menção ao apelido de infância do seu criador, “Lé”, que sempre gostou muito do universo circense, e lembra-nos de que esse é um espetáculo criado e arraigado na cultura brasileira. Nós, brasileiros, devemos ampliar nosso olhar a respeito da importância desta linguagem circense no Brasil para resgatar nossa cultura popular e nossas raízes. “O circo do Seu Lé” é a nossa cara e faz um contra ponto ao “Cirque Du Soleil”.

O espetáculo esteve em cartaz entre os dias 26 de julho a 21 de setembro, aos sábados e domingos, no Teatro Alfa.

sábado, 20 de setembro de 2008

Resenha do grupo sobre o "Balão Vermelho" com acréscimo ao final

Era uma vez um menino e um balão passeando pelas ruas de Paris. O menino, interpretado por Pascal Lamorisse, filho do diretor, liberta o balão de um poste de iluminação. A partir de então, os dois tornam-se amigos inseparáveis e vivem grandes aventuras. Assim se resume o enredo do filme de Albert Lamorisse, “Balão Vermelho” (França, 1956).

O que chama a atenção no enredo e na técnica é o fato de o balão ser um objeto animado: ele segue o menino, se esconde, brinca, foge, mas sempre retorna ao encontro do amigo. Essa amizade desperta a inveja e a incompreensão de crianças e adultos.

As imagens falam mais que as palavras. Nos 38 minutos de filme, os únicos diálogos são “Fica, balão!” e “Voe, balão!”. A belíssima e sensível fotografia registra a melancólica Paris da década de 50, dominada por tons pastéis, cinzas e marrons, que contrastam com o vermelho sempre brilhante do balão.

Vencedor do Oscar de melhor roteiro original, da Palma de Ouro em Cannes como melhor curta-metragem e do Prix Louis Delluc, todos em 1956, e do prêmio especial do Bafta Awards em 1957, o “Balão Vermelho” vem marcando época e continua encantando o público até os dias de hoje. Em 2007, o diretor Hou Hsiau-Hsien adaptou a história sob o título “A viagem do balão vermelho”, em referência ao filme de Lamorisse.

O enredo é singelo: narra as idas e vindas do garoto a caminho da escola e com sutiliza mostra a relação entre o menino e o balão. Adentrados nesta atmosfera do imaginário infantil, percebemos o quanto a fantasia pode ajudar uma criança a superar alguns conflitos e permanecer sendo ela mesma numa sociedade preconceituosa e excludente, que procura matar a originalidade e deixar todos os seus integrantes feito cópias.

domingo, 14 de setembro de 2008

Informações sobre o filme: "O Balão Vermelho" de Albert Lamorisse, França, 1956

http://guia.folha.com.br/cinema/ult10044u419027.shtml

Voltaram ao cinemas os clássicos franceses "O Balão Vermelho" ("Le Ballon Rouge", França, 1956) e "O Cavalo Branco" ("Crin Blanc: Le Cheval Sauvage", França, 1953), de Albert Lamorisse. Ambos ganharam cópias restauradas.
Divulgação
Médias-metragens "O Balão Vermelho" e "O Cavalo Branco" reestréiam em sessão dupla
Vencedor do Oscar de melhor roteiro e do Prêmio Especial do Bafta Awards em 1957, Palma de Ouro em Cannes e ganhador do Prix Louis Delluc em 1956, "O Balão Vermelho" retrata o encantamento que nasce do encontro entre um balão, que estava preso em um poste em Paris, e um garotinho.
Quase sem palavras, a história do balão que segue o menino por todos os lugares, como um amigo inseparável, despertando a inveja das outras crianças, leva à tela um relato simples, mas repleto de poesia.
"O Cavalo Branco" também traz a história de um menino. No caso, de um garoto e sua amizade com um cavalo selvagem. Assim como em "O Balão Vermelho", o diretor optou por uma quantidade mínima de diálogos. O filme recebeu o prêmio Prix Jean Vigo e o Prêmio do Festival de Cannes, em 1953.
No sul da França, um garoto pescador mora em meio à natureza. Nas proximidades vive um bando de cavalos selvagens. Alguns homens capturam os animais, com exceção do Cavalo Branco, que sempre consegue fugir.
Incrivelmente o menino e o cavalo se tornam amigos e percorrem belíssimas paisagens, entretanto, os homens não desistem de capturar o animal, que promete correr sem parar seja para onde for, levando junto o amigo.
Os filmes são exibidos em sessão dupla, cada um tem duração de 38 minutos.


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080704/not_imp200465,0.php

Lamorisse, a volta do poeta da infância
O Cavalo Branco e O Balão Vermelho marcaram época nos anos 50
Foi o sucesso de A Viagem do Balão Vermelho, de Hou Hsiao-hsien, em Cannes, no ano passado, que reavivou o interesse pelo original de Albert Lamorisse, de 1956. O Balão Vermelho é um poema de meia-metragem que a distribuidora Pandora resgata agora num programa duplo complementado por outro trabalho do diretor. O Cavalo Branco (Crin Blanc) é de 1953. São dois clássicos do cinema sobre, não necessariamente para, a infância. O grande desafio é saber se a sensibilidade poética de Lamorisse, seu gosto pelos belos planos e pelos grandes sentimentos terão resistido às mudanças de ritmo operadas no cinema atual.Lamorisse foi o inventor do chamado documentário poético. No centro desses dois filmes, ele colocou um menino - interpretado por seu filho, Pascal. Em O Cavalo Branco, o menino liga-se numa relação de amizade ao cavalo do título. O original - Crin Blanc - refere-se às crinas brancas, pêlos do pescoço e da cauda, que ondulam ao vento, na corrida que descortina para o garoto o sentimento da liberdade. Em O Balão Vermelho, o menino está em Paris, mais exatamente nas ruas de Montmartre. É seguido pelo balão do título, que o acompanha como bicho doméstico. Quando os outros garotos destróem o balão, há uma revolta dos demais balões de Paris.Albert Lamorisse ganhou muitos prêmios nos anos 40 e 50, mas sua poética não encantava François Truffaut, que estreou com um longa sobre um menino carente, cujo título brasileiro, Os Incompreendidos, é perfeito para definir os pequenos heróis dos filmes que reestréiam hoje. Lamorisse morreu num acidente de helicóptero, em 1970, no Irã, quando buscava locações para um novo filme.Serviço O Balão Vermelho (Le Baloon Rouge, França/1956, 38 min.); O Cavalo Branco (Crin Blanc, França/1953, 40 min.) - Aventura. Dir. Albert Lamorisse. Livre. Cotação: Excelente

Albert Lamorisse nasceu em 13 de janeiro de 1922 e morreu aos seus 48 anos. É o diretor, produtor e roteirista de O Balão Vermelho.

Nota - PARQUE VILLA LOBOS (corrigida)

Inaugurado no final de 1994, o Parque Villa Lobos é uma ótima opção de lazer ao ar livre. Com suas reformas, o parque passou a contar com a infra-estrutura necessária para seu funcionamento, além da instalação de uma base da Polícia Militar dentro do parque, que resolveu problemas da segurança.

Com uma área de 732 mil m², o parque possui ciclovia, pistas para caminhadas, quadras para futebol de salão e para tênis, campos de futebol, aparelhos para ginástica, tabelas de “street basketball”, “playground”, ilha musical para shows e concertos, um anfiteatro aberto com 750 lugares e bosque com espécies de Mata Atlântica.

É interessante ressaltar que, devido à sua grande área plana, este é o primeiro parque a ser adequado à acessibilidade de pessoas com deficiências físicas.

O Parque ainda conta com o Espaço Vida, um centro de educação ambiental, que promove a formação de professores e a conscientização de jovens sobre a recuperação e preservação dos recursos naturais.

PARQUE VILLA LOBOS

Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001, Alto dos Pinheiros, São Paulo - SP
Telefone: (11) 3023-0316 / 3023-2229
Todos os dias das 6h às 18h. No horário de verão, até 19h.