quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Segunda versão da reportagem
(4484)
Os brinquedos de hoje e de ontem
Fernanda Giorgi Barsotti Tinti
O comércio de brinquedos, no Dia das Crianças deste ano, aumentou cerca de 12% em relação ao ano passado. Com a proximidade dessa data, o mercado empresarial de brinquedos preparou-se para aquecer suas vendas: aumentou seu estoque e procurou novidades para atrair os pequenos. Os brinquedos mais vendidos foram bonecas e carrinhos, principalmente os mais divulgados na mídia.
A Estrela também apostou alto na data e lançou 120 brinquedos, 20% a mais que em 2007. O Dia das Crianças representa 30% do seu faturamento anual. E, este ano, a produção e as vendas foram 25% maiores que no ano passado, segundo o diretor de Marketing da empresa, Aires Leal Fernandes. Os produtos que fizeram mais sucesso foram: Real Baby, Comandos em Ação, Insecta, Balanço do Bebê e Cara a Cara Turma da Mônica, com preços de R$ 17,90 a R$ 269,90.
Brincadeiras como bolinhas de gude, amarelinha, passar anel, rodar pião, empinar pipa, pular corda, bater bola na rua com a molecada eram as brincadeiras de antigamente.
Myriam, 81, nasceu e vive em São Paulo. Filha de imigrantes ingleses, tem cinco netas e um bisneto e observa as diferenças entre as brincadeiras de sua infância e as das crianças hoje. “Eu brincava com as minhas amigas da rua. Morávamos na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, na época, uma bela alameda cheia de árvores e muito sossegada. Brincávamos no quintal da minha casa de esconder lenço, passa anel, amarelinha, queimada e bicicleta. Ensinávamos as brincadeiras umas às outras.”, lembra.
“A minha brincadeira preferida era jogar futebol na rua com os meus visinhos, que eram sírios. Eu morava na Alameda Jaú, uma rua tranqüila e de terra. Jogava, também, balão ao cesto. Com o meu irmão, eu brincava de quem pulava mais degraus da escada de casa, era um sobrado.”, conta Rolando, 92, filho de imigrantes italianos, nascido em São Paulo, onde vive até hoje.
Atualmente as brincadeiras de rua, realizadas em grupo, foram substituídas pelos brinquedos, computador e a televisão. A tecnologia ganhou força na vida das crianças, que ficam mais em casa por conta da violência nas ruas.
A psicóloga Oracélia Rosa diz que “Hoje em dia as crianças só sabem que rodar pião era coisa que o pai fazia. Elas brincam em computadores, normalmente sozinhos. Antigamente as brincadeiras eram em grupos, havia mais socialização. Atualmente é possível perceber, a partir das brincadeiras da maioria das crianças, em que classe social se encaixam”. Segundo ela, “quanto maior o poder aquisitivo mais acesso à tecnologia e brinquedos eletrônicos. Nas classes sociais menos favorecidas as brincadeiras de antigamente são praticadas com maior freqüência.”. (Entrevista de Priscila Galvão retirada do site http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825).
Além da grande mudança nos espaços das brincadeiras, os brinquedos também modificaram bastante. Se antes eles eram de pano e madeira, muitas vezes construídos pelas próprias crianças, seus pais ou avós, hoje há uma infinidade de brinquedos que encontramos prontos, feitos de plástico e que se movimentam sozinhos. Até brincadeiras como amarelinha e pipa já vêm prontas.
Segundo Rolando, “Quase não existia brinquedo, na minha época. Nós tínhamos que construir nossos próprios brinquedos. Eu tinha patinete, patins, bicicleta e alguns carrinhos de madeira, mas eu gostava mesmo é de construir pipas e balões.”.
Myriam conta: “Eu só tinha boneca, não havia outra coisa, na época. Eu tinha umas bonecas alemãs lindas, feitas de biscuit, que meu avô tinha dado para a minha mãe e ela me deu. Tinha uma boneca de pano, também, que a Alice, cozinheira, fez para mim.”.
Fabiano, 85, nasceu no interior de São Paulo, em Ibirá, e hoje vive em São Caetano. Lembra que seu pai o ensinou a construir um trem de madeira e lata de sardinha. “Acho que eu cheguei a fazer uns 15 trenzinhos desses. Fui me aperfeiçoando e, nos últimos, eu fazia até a carga para ele carregar, eu fazia saquinhos com estopa e enchia de areia, galhos que se transformavam em troncos e me divertia brincando com os meus trenzinhos.”.
“Como num passe de mágica, depois do almoço a madeira escura virava, na minha imaginação, um gramado verde, lindo, onde eu plantava meus times de futebol de botão, também coloridos, feitos de um plástico duro, trazendo uma foto dos jogadores no meio, bem diferentes dos de hoje, muito velozes, mas tão impessoais. Olhando o rosto dos jogadores, eu os dispunha na mesa, e depois do apito inicial, que eu mesmo dava, assumia suas identidades, do goleiro ao ponta-esquerda – eu era o time todo...”. (Schwarcz, Luiz. Minha vida de Goleiro. São Paulo: Companhia da Letrinhas, p. 10).
Para saber mais:
http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/4222
http://www.trilhadeluz.com.br/trilha/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=15
Os brinquedos de hoje e de ontem
Fernanda Giorgi Barsotti Tinti
O comércio de brinquedos, no Dia das Crianças deste ano, aumentou cerca de 12% em relação ao ano passado. Com a proximidade dessa data, o mercado empresarial de brinquedos preparou-se para aquecer suas vendas: aumentou seu estoque e procurou novidades para atrair os pequenos. Os brinquedos mais vendidos foram bonecas e carrinhos, principalmente os mais divulgados na mídia.
A Estrela também apostou alto na data e lançou 120 brinquedos, 20% a mais que em 2007. O Dia das Crianças representa 30% do seu faturamento anual. E, este ano, a produção e as vendas foram 25% maiores que no ano passado, segundo o diretor de Marketing da empresa, Aires Leal Fernandes. Os produtos que fizeram mais sucesso foram: Real Baby, Comandos em Ação, Insecta, Balanço do Bebê e Cara a Cara Turma da Mônica, com preços de R$ 17,90 a R$ 269,90.
Brincadeiras como bolinhas de gude, amarelinha, passar anel, rodar pião, empinar pipa, pular corda, bater bola na rua com a molecada eram as brincadeiras de antigamente.
Myriam, 81, nasceu e vive em São Paulo. Filha de imigrantes ingleses, tem cinco netas e um bisneto e observa as diferenças entre as brincadeiras de sua infância e as das crianças hoje. “Eu brincava com as minhas amigas da rua. Morávamos na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, na época, uma bela alameda cheia de árvores e muito sossegada. Brincávamos no quintal da minha casa de esconder lenço, passa anel, amarelinha, queimada e bicicleta. Ensinávamos as brincadeiras umas às outras.”, lembra.
“A minha brincadeira preferida era jogar futebol na rua com os meus visinhos, que eram sírios. Eu morava na Alameda Jaú, uma rua tranqüila e de terra. Jogava, também, balão ao cesto. Com o meu irmão, eu brincava de quem pulava mais degraus da escada de casa, era um sobrado.”, conta Rolando, 92, filho de imigrantes italianos, nascido em São Paulo, onde vive até hoje.
Atualmente as brincadeiras de rua, realizadas em grupo, foram substituídas pelos brinquedos, computador e a televisão. A tecnologia ganhou força na vida das crianças, que ficam mais em casa por conta da violência nas ruas.
A psicóloga Oracélia Rosa diz que “Hoje em dia as crianças só sabem que rodar pião era coisa que o pai fazia. Elas brincam em computadores, normalmente sozinhos. Antigamente as brincadeiras eram em grupos, havia mais socialização. Atualmente é possível perceber, a partir das brincadeiras da maioria das crianças, em que classe social se encaixam”. Segundo ela, “quanto maior o poder aquisitivo mais acesso à tecnologia e brinquedos eletrônicos. Nas classes sociais menos favorecidas as brincadeiras de antigamente são praticadas com maior freqüência.”. (Entrevista de Priscila Galvão retirada do site http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825).
Além da grande mudança nos espaços das brincadeiras, os brinquedos também modificaram bastante. Se antes eles eram de pano e madeira, muitas vezes construídos pelas próprias crianças, seus pais ou avós, hoje há uma infinidade de brinquedos que encontramos prontos, feitos de plástico e que se movimentam sozinhos. Até brincadeiras como amarelinha e pipa já vêm prontas.
Segundo Rolando, “Quase não existia brinquedo, na minha época. Nós tínhamos que construir nossos próprios brinquedos. Eu tinha patinete, patins, bicicleta e alguns carrinhos de madeira, mas eu gostava mesmo é de construir pipas e balões.”.
Myriam conta: “Eu só tinha boneca, não havia outra coisa, na época. Eu tinha umas bonecas alemãs lindas, feitas de biscuit, que meu avô tinha dado para a minha mãe e ela me deu. Tinha uma boneca de pano, também, que a Alice, cozinheira, fez para mim.”.
Fabiano, 85, nasceu no interior de São Paulo, em Ibirá, e hoje vive em São Caetano. Lembra que seu pai o ensinou a construir um trem de madeira e lata de sardinha. “Acho que eu cheguei a fazer uns 15 trenzinhos desses. Fui me aperfeiçoando e, nos últimos, eu fazia até a carga para ele carregar, eu fazia saquinhos com estopa e enchia de areia, galhos que se transformavam em troncos e me divertia brincando com os meus trenzinhos.”.
“Como num passe de mágica, depois do almoço a madeira escura virava, na minha imaginação, um gramado verde, lindo, onde eu plantava meus times de futebol de botão, também coloridos, feitos de um plástico duro, trazendo uma foto dos jogadores no meio, bem diferentes dos de hoje, muito velozes, mas tão impessoais. Olhando o rosto dos jogadores, eu os dispunha na mesa, e depois do apito inicial, que eu mesmo dava, assumia suas identidades, do goleiro ao ponta-esquerda – eu era o time todo...”. (Schwarcz, Luiz. Minha vida de Goleiro. São Paulo: Companhia da Letrinhas, p. 10).
Para saber mais:
http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/4222
http://www.trilhadeluz.com.br/trilha/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=15
domingo, 2 de novembro de 2008
Reportagem
(4362)
Os brinquedos e brincadeiras de antigamente
Fernanda Giorgi Barsotti Tinti
Hoje, as brincadeiras que aconteciam em espaços de convivência como ruas, praças, e em frente às igreja, e favoreciam a transmissão da cultura infantil, já não existem mais. Isso se deve a diversos fatores como: o fim do espaço socializante da rua, a violência, o isolamento da criança frente à TV e o advento de uma gama enorme de brinquedos prontos e eletrônicos.
Brincadeiras como bolinhas de gude, carrinho, pega-pega, passar anel, rodar pião, empinar pipa, pular corda, bater bola na rua com a molecada eram as brincadeiras de antigamente.
Myriam, nascida na cidade de São Paulo, em 1927, diz: “Eu brincava com as minhas amigas da rua. Morávamos na alameda Joaquim Eugênio de Lima, na época, uma bela alameda cheia de árvores e muito sossegada. Brincávamos no quintal da minha cada de esconder lenço, passa anel, amarelinha, queimada e bicicleta. Ensinávamos as brincadeiras umas às outras.”
“A minha brincadeira preferida era jogar futebol na rua com os meus visinhos, que eram sírios. Eu morava na alameda Jaú, uma rua tranqüila e de terra. Jogava, também, balão ao cesto. Com o meu irmão, eu brincava de quem pulava mais degraus da escada de casa, era um sobrado.”, conta Rolando, que nasceu em 1916, na cidade de São Paulo.
Atualmente, as divertidas brincadeiras de rua, realizadas em grupo, foram substituídas pelo computador e a televisão. A tecnologia ganhou força na vida das crianças, presas às suas casas por conta da violência nas ruas. Assim, elas passam mais tempo sozinhas ou com seu tempo divido entre a natação, o inglês, a aula de judô e/ou balé. O tempo que têm junto com seus amigos é dirigido, não há mais tempo livre para criar suas brincadeiras.
A psicóloga Oracélia Rosa diz que “Hoje em dia as crianças só sabem que rodar pião era coisa que o pai fazia. Elas brincam em computadores, normalmente sozinhos. Antigamente as brincadeiras eram em grupos, havia mais socialização. Atualmente é possível perceber, a partir das brincadeiras da maioria das crianças, em que classe social se encaixam”. Segundo ela, “quanto maior o poder aquisitivo mais acesso à tecnologia e brinquedos eletrônicos. Nas classes sociais menos favorecidas as brincadeiras de antigamente são praticadas com maior freqüência.” (Entrevista de Priscila Galvão retirada do site http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825).
Além da grande mudança nos espaços das brincadeiras, os brinquedos também modificaram bastante. Se antes eles eram de pano e madeira, muitas vezes construídos pelas próprias crianças, seus pais e avós, hoje, há uma infinidade de brinquedos prontos, de plástico que se movimentam sozinhos. Até brincadeiras como amarelinha e pipa, que o grande barato era construí-las, já vêm prontas.
Segundo Rolando, “Quase não existia brinquedo, na minha época. Nós tínhamos que construir nossos próprios brinquedos. Eu tinha patinete, patins, bicicleta e alguns carrinhos de madeira, mas eu gostava mesmo é de construir pipas e balões.”.
Myriam conta: “Eu só tinha boneca, não tinha outras coisas na época. Eu tinha umas bonecas alemãs, lindas, feitas de biscuit, que meu avô tinha dado para a minha mãe e ela me deu. Tinha uma boneca de pano, também, que a Alice, cozinheira, fez para mim.”.
A imaginação e a criatividade das crianças eram mais usadas em suas brincadeiras, como mostra o relato de Luiz:
“Como num passe de mágica, depois do almoço a madeira escura virava, na minha imaginação, um gramado verde, lindo, onde eu plantava meus times de futebol de botão, também coloridos, feitos de um plástico duro, trazendo uma foto dos jogadores no meio, bem diferentes dos de hoje, muito velozes, mas tão impessoais. Olhando o rosto dos jogadores, eu os dispunha na mesa, e depois do apito inicial, que eu mesmo dava, assumia suas identidades, do goleiro ao ponta-esquerda – eu era o time todo...” (Schwarcz, Luiz. Minha vida de Goleiro. São Paulo: Companhia da Letrinhas, p10)
Fabiano, nascido em 1923, conta que seu pai o ensinou a construir um trem de madeira e lata de sardinha. “Acho que eu cheguei a fazer uns 15 trenzinhos desses. Fui me aperfeiçoando e, nos últimos, eu fazia até a carga para ele carregar, eu fazia saquinhos com estopa e enchia de areia, galhos que se transformavam em troncos e me divertia brincando com os meus trenzinhos.”.
Para saber mais:
http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/4222
http://www.trilhadeluz.com.br/trilha/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=15
Os brinquedos e brincadeiras de antigamente
Fernanda Giorgi Barsotti Tinti
Hoje, as brincadeiras que aconteciam em espaços de convivência como ruas, praças, e em frente às igreja, e favoreciam a transmissão da cultura infantil, já não existem mais. Isso se deve a diversos fatores como: o fim do espaço socializante da rua, a violência, o isolamento da criança frente à TV e o advento de uma gama enorme de brinquedos prontos e eletrônicos.
Brincadeiras como bolinhas de gude, carrinho, pega-pega, passar anel, rodar pião, empinar pipa, pular corda, bater bola na rua com a molecada eram as brincadeiras de antigamente.
Myriam, nascida na cidade de São Paulo, em 1927, diz: “Eu brincava com as minhas amigas da rua. Morávamos na alameda Joaquim Eugênio de Lima, na época, uma bela alameda cheia de árvores e muito sossegada. Brincávamos no quintal da minha cada de esconder lenço, passa anel, amarelinha, queimada e bicicleta. Ensinávamos as brincadeiras umas às outras.”
“A minha brincadeira preferida era jogar futebol na rua com os meus visinhos, que eram sírios. Eu morava na alameda Jaú, uma rua tranqüila e de terra. Jogava, também, balão ao cesto. Com o meu irmão, eu brincava de quem pulava mais degraus da escada de casa, era um sobrado.”, conta Rolando, que nasceu em 1916, na cidade de São Paulo.
Atualmente, as divertidas brincadeiras de rua, realizadas em grupo, foram substituídas pelo computador e a televisão. A tecnologia ganhou força na vida das crianças, presas às suas casas por conta da violência nas ruas. Assim, elas passam mais tempo sozinhas ou com seu tempo divido entre a natação, o inglês, a aula de judô e/ou balé. O tempo que têm junto com seus amigos é dirigido, não há mais tempo livre para criar suas brincadeiras.
A psicóloga Oracélia Rosa diz que “Hoje em dia as crianças só sabem que rodar pião era coisa que o pai fazia. Elas brincam em computadores, normalmente sozinhos. Antigamente as brincadeiras eram em grupos, havia mais socialização. Atualmente é possível perceber, a partir das brincadeiras da maioria das crianças, em que classe social se encaixam”. Segundo ela, “quanto maior o poder aquisitivo mais acesso à tecnologia e brinquedos eletrônicos. Nas classes sociais menos favorecidas as brincadeiras de antigamente são praticadas com maior freqüência.” (Entrevista de Priscila Galvão retirada do site http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825).
Além da grande mudança nos espaços das brincadeiras, os brinquedos também modificaram bastante. Se antes eles eram de pano e madeira, muitas vezes construídos pelas próprias crianças, seus pais e avós, hoje, há uma infinidade de brinquedos prontos, de plástico que se movimentam sozinhos. Até brincadeiras como amarelinha e pipa, que o grande barato era construí-las, já vêm prontas.
Segundo Rolando, “Quase não existia brinquedo, na minha época. Nós tínhamos que construir nossos próprios brinquedos. Eu tinha patinete, patins, bicicleta e alguns carrinhos de madeira, mas eu gostava mesmo é de construir pipas e balões.”.
Myriam conta: “Eu só tinha boneca, não tinha outras coisas na época. Eu tinha umas bonecas alemãs, lindas, feitas de biscuit, que meu avô tinha dado para a minha mãe e ela me deu. Tinha uma boneca de pano, também, que a Alice, cozinheira, fez para mim.”.
A imaginação e a criatividade das crianças eram mais usadas em suas brincadeiras, como mostra o relato de Luiz:
“Como num passe de mágica, depois do almoço a madeira escura virava, na minha imaginação, um gramado verde, lindo, onde eu plantava meus times de futebol de botão, também coloridos, feitos de um plástico duro, trazendo uma foto dos jogadores no meio, bem diferentes dos de hoje, muito velozes, mas tão impessoais. Olhando o rosto dos jogadores, eu os dispunha na mesa, e depois do apito inicial, que eu mesmo dava, assumia suas identidades, do goleiro ao ponta-esquerda – eu era o time todo...” (Schwarcz, Luiz. Minha vida de Goleiro. São Paulo: Companhia da Letrinhas, p10)
Fabiano, nascido em 1923, conta que seu pai o ensinou a construir um trem de madeira e lata de sardinha. “Acho que eu cheguei a fazer uns 15 trenzinhos desses. Fui me aperfeiçoando e, nos últimos, eu fazia até a carga para ele carregar, eu fazia saquinhos com estopa e enchia de areia, galhos que se transformavam em troncos e me divertia brincando com os meus trenzinhos.”.
Para saber mais:
http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=8825
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/4222
http://www.trilhadeluz.com.br/trilha/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=15